terça-feira, 19 de agosto de 2014

4:10

Quatro meses e dez dias. Nem mais um segundo, nem menos um olhar. Aqui estou eu no quarto escuro abraçada à barriga enquanto me afogo neste rio de nós. Já estive aqui, já deixei de estar (contigo), mas inevitavelmente volto aqui (para te lembrar). Num futuro fictício, ainda que absolutamente impossível nesta situação, o nosso fim teria justificação. Sim, nalgum plano cósmico (que eu desconheço) há uma razão para tudo o que aconteceu. Perdão, para tudo o que acontece (agora, aqui, enquanto choro e me assombras). Não que te vá perseguir na tentativa de (te) compreender, apenas gostaria de colocar um ponto final com mais respeito e menos despeito. Parece, no entanto, que os nossos conceitos de amor são curiosamente diferentes... Enquanto eu me afastei para o nosso bem, mesmo sabendo que iria ressacar, tu preferiste arranjar substituta ainda a cama não tinha arrefecido das nossas noites.
"Caso agudo de egoísmo crónico sem qualquer constrangimento em destruir o que o atrapalhava", deviam escrever-te na campa... E ainda assim não me admiraria se desse comigo a levar-te flores. Dizem que os mortos gostam de flores.. De flores e de que falem com eles, sabes? Como eu estou a fazer agora, de olhos inchados e nariz a pingar. A escrever-te como quem ora, a querer (com um toque de desespero) que o final tivesse sido diferente. O que é uma boa história sem um final que lhe faça jus? Quem é que vai ler a nossa história se queimaste tudo? Se só eu a conto (para as paredes, nos lençóis, enquanto me afogo em nós)?

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